sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sugestão para aulas de Arte - Aulas 2 e 3: Colcha de retalhos.

Aulas 2 e 3: Colcha de retalhos.

Ao término dessas aulas, os alunos deverão ser capazes de:
  • buscar referências pessoais em lembranças trazidas por retalhos de tecidos, utilizando-os em elaborações criativas;
  • perceber diferentes possibilidades de organização, a partir de trabalhos individuais, em uma composição plástica coletiva;
  • estabelecer relações entre seu trabalho, o do colega e a produção de artistas de diferentes épocas.

- Cesta básica (material necessário)
  • retalhos de tecidos; cartolina cortada em quadrados de 20 cm X 20 cm; papel pardo; tesouras; caneta hidrográfica; cola; fios diversos (barbante, lãs, linhas); outros materiais (fitas, rendas, galões, botões)

- Pra começo de conversa (apresentação/motivação)

A motivação inicial poderá ser feita através do filme: “Colcha de Retalhos” e a leitura do texto abaixo:

A arte de unir retalhos é cultivada há muito tempo por diferentes povos. Pedacinhos de pano, feltro, linhas, lãs, botões, miçangas, canutilhos, lantejoulas, brilhos, essências, tintas e muito amor... materiais que, misturados, viram arte... Um hobby, uma terapia...
Patchwork, trabalho com retalhos, em tradução literal. Conhecido desde a Antiguidade ganhou força entre os colonizadores nos Estados Unidos e no Canadá. Uma técnica passada de geração a geração entre as mulheres, cheia de tradições e significados...
É uma técnica que une tecidos com uma infinidade de formatos variados.
Santa Cruz do Capibaribe, localizada a 215 km do Recife, em pleno agreste de Pernambuco, possui uma das economias mais sólidas do Estado, há quatro décadas. Na feira da sulanca, encontram-se as roupas e tecidos mais baratos do Nordeste. O município conta com 1280 estabelecimentos comerciais e, de lá, saem para o restante da região cerca de 1 milhão de metros de jeans,semanalmente, e 500 toneladas de malha por mês. Santa Cruz do Capibaribe possui 38.000 habitantes e 40.000 máquinas de costura.

A seguir, o professor estimulará a discussão em grupo, levantando as seguintes questões:
1 – Qual a ligação que se pode estabelecer entre o ato de unir retalhos e a organização do trabalho cooperativo?
2 – O desafio de unir retalhos, na elaboração de um trabalho, limita ou amplia o ato criativo?

- Desafio criativo (desenvolvimento da atividade)
Sugerir aos alunos a realização da seguinte atividade, observando as etapas relacionadas:
1 - Colocar os retalhos trazidos de casa em uma caixa, misturar, solicitar que cada aluno e o professor retirem um retalho que mais se identifica com você.
2 - Apresentar-se ao grupo a partir da identificação individual feita com o retalho selecionado, explicando o motivo da sua escolha: “Eu escolhi este retalho porque...”
3 – Resumir, em uma palavra, o motivo de sua escolha.
OBSERVAÇÃO: As palavras deverão ser registradas no quadro ou em uma folha de papel pardo, para serem utilizadas no final da atividade.
4 – Criar um modelo individual, fazendo colagem sobre um pedaço quadrado de cartolina e utilizando o tecido escolhido. O tecido poderá ser utilizado inteiro, amassado, dobrado ou cortado em diferentes formas.
5 – Complementar a colagem com desenhos e outros materiais: fios de barbante, linhas, lãs, rendas, galões, botões e tudo o mais que estiver disponível.
OBSERVAÇÃO: O professor deve ficar atento para que haja seleção prévia do material a ser utilizado, cuidando para que o excesso não comprometa a organização estética do trabalho.
6 – Reunir todos os módulos individuais, planejando uma grande colcha de retalhos coletiva.
OBSERVAÇÃO: A divisão da turma facilitará a montagem da grande colcha, agrupando todos os trabalhos. Cada equipe ficará responsável pela união dos pedaços de um determinado setor.
7 – Furar os quadrados nas quatro pontas, unindo-os com fios ou fitas em pequenos nós.
8 – Observar o trabalho pronto, elaborando como os colegas de grupo um texto poético sobre a colcha de retalhos. Retomar as palavras que cada um dos participantes disse no início da atividade (usar o registro feito pelo professor ou por um aluno previamente indicado), acrescidas das impressões construídas durante a realização do trabalho.
9 – Apresentar os textos criados pelos diferentes grupos, que poderão ser expostos na escola com a colcha.

- Voltar para poder avançar (avaliação/sistematização)
É hora de avaliar e sistematizar conhecimentos. Ao observar e analisar a colcha de retalhos, é bom lembrar e discutir com os alunos sobre:
1 – a importância da participação individual no trabalho coletivo;
2 – a força da união criativa do grupo;
3 – a preservação de tradições presentes na memória cultural;
4 – as necessidades do cotidiano, revelando a capacidade criativa do ser humano.

- Revirando o baú (reflexão)
Textos para refletir e discutir em grupo:
1 - “Jovens amantes procuram a perfeição. Velhos amantes aprendem a arte de unir retalhos e descobrem a beleza na variedade das peças...”
(fala de uma das personagens do filme Colcha de Retalhos)
2 – Tecendo ideias
A vida é uma enorme colcha de retalhos tecida aos poucos, ora com lembranças do passado, ora com momentos presentes, ora com futuros.
Na trama desta colcha estão incorporados retalhos da vida de outras pessoas que cruzaram nossos caminhos e de alguma forma marcaram essa passagem.
Esta colcha é interminável e certamente continuará a ser construída pelas mãos daqueles que ficaram com o fio da meada de nossa existência.
É esta ação de acrescentar, continuar, colaborar e construir que tornará a colcha grande, forte, transformando-a a todo instante.”
Neide Duarte e Mércia M. Leitão, 2003.
3 – Tecendo a manhã
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
João Cabral de Melo Neto

4 - Dinâmicas de Identidade e Valores: Colcha de Retalhos
Atividade:
Quantas vezes sentamos ao lado de nossos avós ou mesmo de nossos pais para escutar aquelas longas histórias que compuseram a vida e a trajetória da nossa família e, portanto, a trajetória da nossa vida? Quantas vezes paramos para pensar na importância do nosso passado, nas origens de nossa família, e mais, de nossa comunidade? Indo um pouco mais longe, quantas vezes paramos para pensar de que forma a cultura da nossa cidade e de nosso país influencia o nosso modo de ver as coisas?
Pois é. Nós somos aquilo que vivemos. Somos um pouquinho da via de nossos pais e avós, somos também um pouquinho da vida de nossos pais e avós, da nossa, do nosso bairro, das pessoas que estão à nossa volta, seja na cidade ou no país onde vivemos.
Isso é o que se chama identidade cultural. E esta é uma atividade que ajuda a buscar essa identidade - o que significa buscar a nossa própria história, conhecemos a nós mesmos e a tudo que nos rodeia. Buscar a identidade cultural é “entender para respeitar” nossos sentimentos e os daqueles com quem compartilhamos a vida.

Material:
* Tecido - lona, algodão, morim cortados em tamanho e formatos variados
* Tinta de tecido ou tinta guache (é bom lembrar que o guache se dissolve em água)
  • Linha e agulha ou cola de tecido.
Passos - Como se faz:
1ª Etapa - História de Vida
Peça a todos os participantes para relembrarem um pouco de suas histórias pessoais e das histórias de suas famílias, pensando em suas origens, sentimentos e momentos marcantes, em sonhos, enfim, em tudo aquilo que cada pessoa considera representativo de sua vida. Depois disso, peça para escolherem pedaços de tecidos para pintar símbolos, cores ou imagens relacionadas às suas lembranças. Esse é um momento individual, que deve levar o tempo necessário para que cada um se sinta à vontade ao expressar o máximo de sua história de vida. Quando todos terminarem, proponha a composição da primeira parte da Colha de Retalhos, que pode ser feita costurando ou colando os trabalhos de cada um, sem ordem definida.

2ª Etapa - História da Comunidade
Esta etapa exige muito diálogo entre os participantes, que devem construir a história da comunidade onde vivem. Uma boa dica é pesquisar junto aos mais velhos.
O grupo escolhe alguns fatos, acontecimentos e características da comunidade para representá-los também em pedaços de tecido pintados. Pode-se reunir as pessoas em pequenos grupos para a criação coletiva do trabalho. Todas as pinturas, depois de terminadas, deverão ser costuradas ou coladas compondo um barrado lateral na colcha.

3ª etapa - História da cidade, do país, da Terra
A partir daqui, a ideia é dar continuidade à colcha de retalhos, criando novos barrados, de forma a complementá-la com a história de vida da cidade, do país, do mundo e até a do universo. Não há limites nem restrições. O objetivo principal é estimular nos participantes a vontade de conhecer e registrar a vida, em suas diferentes formas e momentos. Desse modo, poderão se sentir parte da grande teia da vida.
Fonte: “Paz, como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas”, Lia Diskin e Laura G. Roizman.

- Esticando a conversa (desdobramentos/bibliografia)
Haverá sempre novas maneiras de exploração do tema Colcha de Retalhos. Aqui são destacadas algumas possibilidades.
1 – Entrevistar, na comunidade local, artesãos que trabalhem com retalhos de diferentes materiais, trazendo, se possível, uma mostra desse trabalho para a sala de aula.
2 – Levantar nessas entrevistas diferentes aspectos envolvidos na confecção de objetos feitos com retalhos, desde a origem do material e as possíveis razões que levaram as pessoas a confeccioná-los, até as combinações de cores e formas.
3 – Pesquisar a utilização de retalhos na confecção de objetos de uso cotidiano: bolsas, tapetinhos, sacolas, quadros, painéis, colchas, brinquedos, roupas, utensílios, mostrando a importância da reciclagem de materiais.
4 – Explorar imagens e textos com os alunos sobre a obra do artista pernambucano Romero Brito, que utiliza, em suas pinturas, padrões semelhantes a uma estamparia de tecido. (http://www.google.com.br/search?q=romero+britto&hl=pt-BR&prmd=imvnso&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=8wQBT57mJM33ggeH9PWDAg&sqi=2&ved=0CFgQsAQ&biw=1366&bih=638)
5 – Conhecer técnicas artísticas que utilizam pedaços e fragmentos de diferentes materiais em sua composição – como as técnicas do mosaico e do vitral – através das leituras:
Texto 1: Mosaico: o luxo e a suntuosidade em pedras coloridas

O mosaico consiste na colocação, lado a lado, de pequenos pedaços de pedras de cores diferentes sobre uma superfície de gesso ou argamassa. Essas pedrinhas coloridas são dispostas de acordo com um desenho previamente determinado.
A seguir, a superfície recebe uma solução de cal, areia e óleo que preenche os espaços vazios, aderindo melhor os pedacinhos de pedra.
Os gregos usavam os mosaicos principalmente nos pisos. Já os romanos utilizavam-nos na decoração, demonstrando grande habilidade na composição de figuras e no uso da cor. Na América os povos pré-colombianos, principalmente os maias e os astecas, chegaram a criar belíssimos murais com pedacinhos de quartzo, jade e outros minerais.
Mas foi com os bizantinos que o mosaico atingiu sua mais perfeita realização. As figuras rígidas e a pompa da arte de Bizâncio fizeram do mosaico a forma de expressão artística preferida pelo Império Romano do Oriente.
Assim, as paredes e as abóbadas das igrejas, recobertas de mosaicos de cores intensas e de materiais que refletem a luz em reflexos dourados, conferem uma suntuosidade ao interior dos templos que nenhuma época conseguiu reproduzir.
Fonte: História da Arte/ Graça Proença/ editora ática

Texto 2: Um artista de curvas, cacos e cores

Antoni Gaudí nasceu 25 de junho de 1852 — Barcelona, 10 de junho de 1926) foi um arquitecto catalão, um dos símbolos da cidade de Barcelona, onde se educou e passou grande parte da vida. Aparece como um arquiteto de novas concepções plásticas ligado ao modernismo catalão (a variante local da art nouveau).
Seus primeiros trabalhos possuem claras influências da arquitetura gótica (refletindo o revivalismo do século XIX) e da arquitetura catalã tradicional. Nos primeiros anos de sua carreira, Gaudí foi fortemente influenciado pelo arquiteto francês Eugene Viollet-le-Duc, responsável em seu país por promover o retorno às formas góticas da arquitetura.
Com o tempo, entretanto, passou a adotar uma linguagem escultórica bastante pessoal, projetando edifícios com formas fantásticas e estruturas complexas. Algumas de suas obras-primas, mais notavelmente o Templo Expiatório da Sagrada Família possuem um poder quase alucinatório.
Gaudí é conhecido por fazer extenso uso do arco parabólico catenário, uma das formas mais comuns na natureza. Para tanto, possuía um método de trabalho incomum para a época, utilizando-se de modelos tridimensionais em escala moldados pela gravidade (Gaudí usava correntes metálicas presas pelas extremidades: quando elas ficavam estáveis, ele copiava a forma e reproduzia-as ao contrário, formando suas conhecidas cúpulas catenárias). Também se utilizou da técnica catalã tradicional do trencadis, que consiste de usar peças cerâmicas quebradas para compor superfícies.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antoni_Gaud%C3%AD

Texto 3: Vitrais: a luz multicolorida das catedrais góticas

Os vitrais são feitos de vidros coloridos que, ao deixar passar a luz do Sol, criam um ambiente interno sereno e cheio de cores.
Sua produção envolvia várias etapas. Primeiramente, derretia-se o vidro na fornalha e acrescentavam-se a ele diversos produtos químicos que o tornavam coloridos e translúcidos. Depois, faziam-se as placas de vidro, em geral pelo método que produzia o chamado vidro antique.
Nesse método, o artesão acumulava uma pequena quantidade de vidro fundido na extremidade de um tubo e imediatamente começava a soprar por ele, até formar uma bolha de vidro de forma cilíndrica.
A seguir, cortava suas duas extremidades, como se tirasse uma tampa de cada lado, obtendo assim um cilindro oco. Depois cortava esse cilindro ainda quente em sentido longitudinal e o achatava, até obter uma placa. Cada placa, depois de resfriada, era recortada com uma ponta de diamante, segundo o desenho previamente determinado para o vitral.
Na etapa seguinte, o artesão pintava com tinta opaca preta os detalhes da figura - por exemplo, os traços fisionômicos. Por fim, todas essas pequenas placas pintadas eram encaixadas umas nas outras por uma moldura metálica, chamada perfil de chumbo. Juntas, formavam grandes composições - os vitrais - que eram colocadas nas aberturas das paredes das catedrais.
Fonte: História da Arte/ Graça Proença/ editora ática

Texto 4: Um destaque no vitral brasileiro

Artista plástica brasileira nascida em Paris, filha de mãe francesa e pai pernambucano, Peretti, registrada no Consulado Brasileiro, cresceu e foi educada no meio de escritores e artistas, na capital francesa, onde estudou desenho e pintura. Peretti viajou bastante pela Europa e veio, em 1953, morar em São Paulo, onde se dedica a elaborar ilustrações,desenhos e guaches. Naquela época, seu principal trabalho era a elaboração de vitrines, o que, segundo a própria Peretti, ofereceu-lhe a experiência de apreensão de grandes dimensões espaciais. Também passou a desenhar e pintar paisagens do Ceará, e aspectos variados do Recife e da Bahia. Participou de várias Bienais entre outras realizações e ganha em 1959 um prêmio na 5ª Bienal de São Paulo com a ilustração da melhor capa de livro “As Palavras”, de Paul Sartre.
O início do trabalho com vitrais veio através por solicitação de um arquiteto francês em decorrência de uma encomenda para a sala do restaurante da escola de eletricidade em Paris, essa sala deveria ser toda iluminada por trás, como afirma a artista, o vitral cabia perfeitamente. Este meio de expressão estava longe de ser privilegiado pela própria artista. Ao contrário, conforme nos confirmou julgava que “eram uma coisa morta, sem expressão, que tinha sido muito bonito no século 11 e 12, mas depois tinha decaído.” Foi através da colaboração com Janete Costa, cujo inicio data de 1965, que Peretti começou a modificar sua opinião sobre os vitrais interessantes, ao produzir pequenas peças murais e esculturas para residências e apartamentos decorados pela arquiteta de interiores.
Com essas encomendas, comecei a ver que não era bem assim. Podia fazer coisas modernas para inserir nesses apartamentos modernos. Aí comecei a trabalhar muito. E, a partir daí, me interessei pelo vidro”. (Peretti, 2009)
Foi esta colaboração com Janete Costa que levou-a àquela com Oscar Niemeyer. Este ao conhecer um vitral de Peretti feito para a arquiteta de interiores, convidou a vitralista a participar de seus projetos. A partir de então, o vitral tornou-se o foco principal da atividade artística de Peretti que, no entanto, continua até o presente a expressar-se por outros meios como a escultura. Acreditando ser “uma cretinice” copiar vitrais do século XIX em uma obra moderna, uma vez que não há qualquer relação com a arquitetura nova, Peretti afirma haver buscado uma nova linguagem de vitral que tivesse relação com o espaço moderno “Eu criei uma maneira diferente de trabalhar com o vidro, criei uma linguagem diferenciada”. (Peretti, 2009)

6 – Identificar formas geométricas regulares e irregulares em trabalhos realizados com retalhos.
7 – Exercitar a composição de diferentes arranjos musicais com trechos de canções conhecidas.

- Apoio didático:
Livro:
SILVA, Conceil Corrêa da. A colcha de retalhos. São Paulo. Editora do Brasil. 1995.

Vídeo:
Arte não é pintura – 2ª parte: A arte do mosaico – Série Arte TV – Empresa Municipal de Multimeios Ltda., 1998.

Filmes:
Colcha de retalhos
Lisbela e o prisioneiro
Endereços eletrônicos:




Professor: Lembre-se também de fazer: Achados e perdidos (considerações do professor)

Postado por Susana Lúcia do Nascimento

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